1 A primeira versom. A cultura celta nasce na Europa central e expande-se em ondas.
2 A mudança de paradigma. A Nova Teoria Celta
3 Umha celticidade mais ampla
4 A difícil questom da linguagem.
5 A teoria da Europa Céltica Atlântica
6 Um celta cada vez mais velho
7 Em suma, surge um cenário muito mais complexo.
Hallstatt lembra algumha cousa ? E La Tène ? Ok, estamos nessa fase. A história da cultura celta é definida a partir do século XIX com base em descobertas arqueológicas de grande importância. No complexo mineiro de Hallstatt existem mais de 2.000 túmulos dumha sociedade que polo menos nas suas fases iniciais pertence à Idade do Bronze, e na sua segunda metade já é considerada a precursora do mundo celta posterior, dentro da Idade do Ferro.
Os manuais pré-históricos seguem o relato clássico de que depois de Hallstatt veu a arte de La Tène. Nas margens deste lago, um sítio arqueológico também é constituído por túmulos e oferendas rituais nos que se atopam objetos de excepcional qualidade artística. Nele já atopamos aos celtas que conhecemos por meio de fontes clássicas. Eles estám localizados nas cabeceiras dos grandes rios e comercializam fluentemente com o mundo grego (o túmulo da senhora de Vix estaria localizado no trânsito entre Hallstatt e la Tène).
A teoria mantem-se ao longo de quase dous séculos evoluindo e refazendo-se, e até mesmo ajustarem-se às novas descobertas arqueológicas até a primeira metade do século 20, mas hoje nom é mais aceitada na sua totalidade. Coidado, nom significa que nom seja válido, mas que deve ser qualificado.
A mudança de paradigma. A Nova Teoria Celta
Precisamente o desenvolvimento da arqueologia começou a fazer umha série de perguntas incômodas às quais a velha teoria nom conseguia responder. Por exemplo, as grandes migraçons, aceitadas durante os derradeiros dous séculos, começam a ser questionadas.
Pesquisas em lares celtas mostram que o componhente humano, ou seja, a impressom digital genética, quase nom registra mudanças nos séculos nos que devia ter sido detectada umha mudança nos genes dos habitantes dos territórios aos que chegarom as invasons celtas.
Mas nom só isso, na Europa ocidental, isto é, aqueles territórios que o celtismo considerou aqueles que preservaram com pureza os vestígios da antiga raça celta som estudados em profundidade e conclui que estám mais relacionados com os habitantes da Galécia e o noroeste peninsular do que com a Europa central, ou seja, nom ocorrerom tais invasons, mas atualmente está sendo formulado um novo processo denominado difusom.
Outra rachadura na velha teoria é que nom existe um conceito único de celticidade. Algo era considerado celta se fosse lateniano, mas as culturas como a galaica nom apresentam traços latenianos na mesma medida que os gauleses, com os quais se relacionam.
Presentemente considera-se que o antigo céltico nom só possuía umha área principal e vários derivados, senom que cada um deles, provinte dum substrato comum, apresentava características diferentes. Essas áreas som galaicas, celtibéricas, insulares, centro-europeias, a península italiana e os gálatas da Anatólia.
Cada um deles, apesar de como digo, ter origens e laços culturais apresenta umha evoluçom diferente que pode ser considerada celta sem atender a todos os requisitos que som assumidos para a era latina.
A religiom tampouco tem que ser inequívoca. O celtismo identificou o druida com o celta, e essa relaçom é verdadeira, mas nom única. Pode haver celtas e pode nom haver druidas. Nom temos registro deles, exceto na Irlanda, Ilha-Bretanha e na Gália. Mais tarde a literatura celta irlandesa faz com que os vejamos na ilha, por isso entendemos que pode ser um processo insular que se espalhou pola Gália. O próprio Júlio César dize-nos nos Comentários sobre a Guerra da Gália que os druidas continentais iam estudar às Ilhas Britânicas.
Nem na Galécia, nem na Galácia, nem na Gália Cisalpina, nem entre os Druidas dos Balcãs, encontramos Druidas. Nom estava lá? Seria estranho se César nom nos tivesse falado sobre eles na Galécia, se é que existiam. No entanto, sabemos que existiam vates entre os galaicos e mesmo entre os celttíberos no final da antiguidade.
A difícil questão da linguagem.
Talvez seja umha das mudanças mais importantes do antigo paradigma, e na qual a nova concepçom do Céltico é baseiado. A língua e a cultura deviam ter viajado com os celtas à medida que se expandiam do seu lar ancestral na Europa Central, e o feito é que agora está sendo apontado o oposto.
A linguagem céltica (antes chamada proto-céltica) surge, segundo autores como John T. Koch, no extremo oeste da Europa. As referências mais antigas a umha língua céltica, sempre segundo estes autores, encontram-se no sul de Portugal, entre a tribo dos Cinetes. A estela de Lagos fala de um Nerio, um nobre da Galtia (Fisterra, Galiza).
Koch formula a hipótese de que sobre um substrato de povos indo-europeus umha cultura que se desenvolveu em direçom ao Bronze Final na área atlântica, na qual surgiu a primeira e mais antiga língua céltica. Nom pode ser umha consequência do mundo de La Tène, que ainda nom se desenvolveu, mas contém as formas que mais tarde se repetem entre os celtas do resto do continente.
Esta cultura chamado do bronze, documentada em toda a fachada atlântica europeia, é a dos Finisterres. Os fenícios souberom disso quando navegaram além dos Pilares de Hércules na procura de metais. Curiosamente, é nesta área geográfica que as tradiçons célticas forom mantidas nos países da Europa de hoje.
Entre estas costas, como já dissemos, existirom relaçons comerciais que chegarom mesmo ao sul da Península e das quais sem dúvida participarom. Neles surgiu umha língua, o antes chamado proto celta , quefoi umha língua franca entre essas áreas de influência atlântica.
Tendemos a pensar, influenciados pelo celticismo centroeuropeu alemão e francês, que a cultura espalhou-se da Europa Central para as costas atlânticas e agora dizem-nos que é o contrário. A verdade é que na época em que foi formulada a primeira teoria sobre os celtas, o desconhecimento das relaçons comerciais durante a Idade do Bronze era quase absoluto em comparaçom com os dias de hoje.
Um celta cada vez mais velho
A visom atual que temos sobre o mundo céltico é mais ampla e mais antiga do que aquela suposta até agora. O início desta cultura é estabelecido num contexto de intercâmbio comercial da costa atlântica europeia, provavelmente nos Finisterres atlânticos e arredores, onde o destino comercial britânico como fornecedor de estanho floresce por um lado, e o mundo celta da Península Ibérica onde floresce um reino que atraiu o interesse dos fenícios e gregos.
No final da Idade do Bronze, ocorrerom mudanças que nos deixam indícios que falam do declínio da parte ocidente peninsular do comércio atlântico e umha intensificaçom das relaçons comerciais e culturais entre o Atlântico ocidental insular e a Europa central ocorre quando chegam influências mais do que as invasons, de pessoas do continente às ilhas, especialmente à futura Gram-Bretanha.
Em suma, surge um cenário muito mais complexo.
Nos Finisterres da Europa Ocidental, floresce umha cultura do bronze, apresentando umha série de vestígios que nos permitem assegurar que existiram relaçons comerciais e humanas estreitas entre os povos que o constituem. Nesse contexto, desenvolve-se umha linguagem que consideravam proto-céltica, mas é celta, e que lança as bases dum antigo céltico no Atlântico.
Deste cenário eles espalharom-se para o leste para o que foi mais tarde a Gália (moderna França, Alemanha e áreas vizinhas), onde as formas mais antigas das línguas itálica e germânica já teriam-se desenvolvido independentemente do proto-indo-europeu. Isto nom é aceitado por grande parte do mundo acadêmico, mas está promovendo novas visons de como o mundo Celta se desenvolveu, umha que podemos considerar claramente Europeia e que faz parte da nossa tradiçom cultural, mas que foi relegada a um segundo ou terceiro plano no que diz respeito às culturas clássicas mediterrânicas no mundo académico. Algo está a mudar.




