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mércores, 11 de novembro de 2020

Da origem da cultura celta na Europa Central ao Berço do Atlântico

 

Apesar do que poida parecer à primeira vista, na História os conceitos estám  sujeitos a revisom, nom diria isso continuamente, mas com frequência. Este é o caso da cultura celta como um conceito geral. 

O começos dos estudos célticos estám intimamente ligados à concepçom centro-europeia que promoveu o academicismo francês e alemão nos séculos XVIII e XIX. Mas hoje estám em desvantagem, ao menos pola maior parte do mundo acadêmico contemporâneo, que se mantém num lugar intermediário entre essa ideia, como digo, já desatualizada, e a nova tendência promovida dende o espaço atlântico que defende umha origem do mundo céltico no Costas ocidentais europeias, aliás, algo que nom é tam novo como contarei mais tarde. Som as duas teorias opostas que analisaremos em linhas gerais a seguir.

Tabela de conteúdos

1 A primeira versom. A cultura celta nasce na Europa central e expande-se em ondas.
2 A mudança de paradigma. A Nova Teoria Celta
3 Umha celticidade mais ampla
4 A difícil questom da linguagem.
5 A teoria da Europa Céltica Atlântica
6 Um celta cada vez mais velho
7 Em suma, surge um cenário muito mais complexo.

A primeira versom. A cultura celta nasce na Europa central e expande-se em ondas

Hallstatt lembra algumha cousa ? E La Tène ? Ok, estamos nessa fase. A história da cultura celta é definida a partir do século XIX com base em descobertas arqueológicas de grande importância. No complexo mineiro de Hallstatt existem mais de 2.000 túmulos dumha sociedade que polo menos nas suas fases iniciais pertence à Idade do Bronze, e na sua segunda metade já é considerada a precursora do mundo celta posterior, dentro da Idade do Ferro.

 
E é que o mundo celta está associado, nesta etapa, à Idade do Ferro. Umha elite que surge das trocas comerciais entre o norte e o mundo mediterrâneo, que recebe um bom número de influências culturais que dam origem a umha sociedade de príncipes por volta do século VIII aC que estám sepultados em grandes tumbas monumentais (Hochdorf, etc.).

Os manuais pré-históricos seguem o relato clássico de que depois de Hallstatt veu a arte de La Tène. Nas margens deste lago, um sítio arqueológico também é constituído por túmulos e oferendas rituais nos que se atopam objetos de excepcional qualidade artística. Nele já atopamos aos celtas que conhecemos por meio de fontes clássicas. Eles estám localizados nas cabeceiras dos grandes rios e comercializam fluentemente com o mundo grego (o túmulo da senhora de Vix estaria localizado no trânsito entre Hallstatt e la Tène).

No século IV aC, surgiu umha série de circunstâncias que ocasionaram migraçons que exportarom essa cultura para toda a Europa e formarom o clássico céltico, aquele que chegou da Galácia na Anatólia aos celtas da Galiza e a Península Ibérica, além de chegar às ilhas britânicas ...

A teoria mantem-se ao longo de quase dous séculos evoluindo e refazendo-se, e até mesmo ajustarem-se às novas descobertas arqueológicas até a primeira metade do século 20, mas hoje nom é mais aceitada na sua totalidade. Coidado, nom significa que nom seja válido, mas que deve ser qualificado.

A mudança de paradigma. A Nova Teoria Celta

Precisamente o desenvolvimento da arqueologia começou a fazer umha série de perguntas incômodas às quais a velha teoria nom conseguia responder. Por exemplo, as grandes migraçons, aceitadas durante os derradeiros dous séculos, começam a ser questionadas.

Pesquisas em lares celtas mostram que o componhente humano, ou seja, a impressom digital genética, quase nom registra mudanças nos séculos nos que devia ter sido detectada umha mudança nos genes dos habitantes dos territórios aos que chegarom as invasons celtas.
 
Haplogrupo R1b do cromossomo Y. Considerado típico dos europeus ocidentais, ocorre principalmente em populaçons do Atlântico europeu. Foi introduzido na Europa por volta de 2500 AC

Portanto, nom houvo migraçons em massa, polo menos nom na quantidade necessária para causar mudanças nas populaçons conquistadas, agás nalguns casos específicos , como as migraçons que derom origem à Galácia na Anatólia, e os movimentos de tribos testemunhados por latinos e gregos com o saqueio de Roma e Delfos ou com movimentos de famílias de guerreiros gauleses em direçom à Península Ibérica na época romana.

Mas nom só isso, na Europa ocidental, isto é, aqueles territórios que o celtismo considerou aqueles que preservaram com pureza os vestígios da antiga raça celta som estudados em profundidade e conclui que estám mais relacionados com os habitantes da Galécia e o noroeste peninsular do que com a Europa central, ou seja, nom ocorrerom tais invasons, mas atualmente está sendo formulado um novo processo denominado difusom.

Uma celticidade mais ampla

Outra rachadura na velha teoria é que nom existe um conceito único de celticidade. Algo era considerado celta se fosse lateniano, mas as culturas como a galaica nom apresentam traços latenianos na mesma medida que os gauleses, com os quais se relacionam.

Presentemente considera-se que o antigo céltico nom só possuía umha área principal e vários derivados, senom que cada um deles, provinte dum substrato comum, apresentava características diferentes. Essas áreas som galaicas, celtibéricas, insulares, centro-europeias, a península italiana e os gálatas da Anatólia.

Cada um deles, apesar de como digo, ter origens e laços culturais apresenta umha evoluçom diferente que pode ser considerada celta sem atender a todos os requisitos que som assumidos para a era latina.

A religiom tampouco tem que ser inequívoca. O celtismo identificou o druida com o celta, e essa relaçom é verdadeira, mas nom única. Pode haver celtas e pode nom haver druidas. Nom temos registro deles, exceto na Irlanda, Ilha-Bretanha e na Gália. Mais tarde a literatura celta irlandesa faz com que os vejamos na ilha, por isso entendemos que pode ser um processo insular que se espalhou pola Gália. O próprio Júlio César dize-nos nos Comentários sobre a Guerra da Gália que os druidas continentais iam estudar às Ilhas Britânicas.

Nem na Galécia, nem na Galácia, nem na Gália Cisalpina, nem entre os Druidas dos Balcãs, encontramos Druidas. Nom estava lá? Seria estranho se César nom nos tivesse falado sobre eles na Galécia, se é que existiam. No entanto, sabemos que existiam vates entre os galaicos e mesmo entre os celttíberos no final da antiguidade.

No entanto, temos uma série de deuses que aparecem por todo o continente, alguns deles podemos considerar como pertencentes às sociedades celtas (antes pré-célticas) indo-europeias da Europa ocidental, mas outros som claramente célticos e se estendem por todo o território.

A difícil questão da linguagem.

Talvez seja umha das mudanças mais importantes do antigo paradigma, e na qual a nova concepçom do Céltico é baseiado. A língua e a cultura deviam ter viajado com os celtas à medida que se expandiam do seu lar ancestral na Europa Central, e o feito é que agora está sendo apontado o oposto.

A linguagem céltica (antes chamada proto-céltica) surge, segundo autores como John T. Koch, no extremo oeste da Europa. As referências mais antigas a umha língua céltica, sempre segundo estes autores, encontram-se no sul de Portugal, entre a tribo dos Cinetes. A estela de Lagos fala de um Nerio, um nobre da Galtia (Fisterra, Galiza).

 “Invocando os Lugos do povo Neri (niir), em comemoraçom a um Nobre dos Kaaltee / Galtia (Galiza): ele repousa para sempre ali. Invocaçom de todos os heróis. O túmulo de Taśiionos o recebeu ” (traduçom da leitura de John T. Koch)”
 
Esta inscriçom pertence à cultura Tartessica e é a mais ampla preservada até hoje. É datado do século 5 AC. As línguas célticas da Galécia e a Península Ibérica também som mais antigas que o céltico continental, parece que a língua vem dum lado e a cultura artística doutro.
 
Os membros da classe social proprietária que goza de todos os direitos civis dentro da sua Treba ou Terra entre os Celtas da Europa Atlântica chamam-se ari, aires. O primeiro aire, “nobre”, conhecido em todo o mundo Celta, dos tempos da Idade do Bronze, foi, segundo proclama sua estela funerária, redactada com caracteres tartésicos em Celta Antigo Comúm, um araiui, aire, ari,  “nobre”, Nerio da Kaltia, um excingo, ‘heroe’ galego da Costa da Morte do finisterre atlántico chamado Tássionos. Há duas categorias de aires, aaltanobreza, milites, bene nati, chamados em Irlanda flaths, (lat. med. s. miles, pl. milites); e os bó aire.
 
A teoria da Europa Céltica Atlântica

Koch formula a hipótese de que sobre um substrato de povos indo-europeus umha cultura que se desenvolveu em direçom ao Bronze Final na área atlântica, na qual surgiu a primeira e mais antiga língua céltica. Nom pode ser umha consequência do mundo de La Tène, que ainda nom se desenvolveu, mas contém as formas que mais tarde se repetem entre os celtas do resto do continente.

Esta cultura chamado do bronze, documentada em toda a fachada atlântica europeia, é a dos Finisterres. Os fenícios souberom disso quando navegaram além dos Pilares de Hércules na procura de metais. Curiosamente, é nesta área geográfica que as tradiçons célticas forom mantidas nos países da Europa de hoje.

Entre estas costas, como já dissemos, existirom relaçons comerciais que chegarom mesmo ao sul da Península e das quais sem dúvida participarom. Neles surgiu umha língua, o antes chamado proto celta , quefoi umha língua franca entre essas áreas de influência atlântica.

Tendemos a pensar, influenciados pelo celticismo centroeuropeu alemão e francês, que a cultura espalhou-se da Europa Central para as costas atlânticas e agora dizem-nos que é o contrário. A verdade é que na época em que foi formulada a primeira teoria sobre os celtas, o desconhecimento das relaçons comerciais durante a Idade do Bronze era quase absoluto em comparaçom com os dias de hoje.

Um celta cada vez mais velho

A visom atual que temos sobre o mundo céltico é mais ampla e mais antiga do que aquela suposta até agora. O início desta cultura é estabelecido num contexto de intercâmbio comercial da costa atlântica europeia, provavelmente nos Finisterres atlânticos e arredores, onde o destino comercial britânico como fornecedor de estanho floresce por um lado, e o mundo celta da Península Ibérica onde floresce um reino que atraiu o interesse dos fenícios e gregos.

No final da Idade do Bronze, ocorrerom mudanças que nos deixam indícios que falam do declínio da parte ocidente peninsular do comércio atlântico e umha intensificaçom das relaçons comerciais e culturais entre o Atlântico ocidental insular e a Europa central ocorre quando chegam influências mais do que as invasons, de pessoas do continente às ilhas, especialmente à futura Gram-Bretanha.

Em suma, surge um cenário muito mais complexo.

Nos Finisterres da Europa Ocidental, floresce umha cultura do bronze, apresentando umha série de vestígios que nos permitem assegurar que existiram relaçons comerciais e humanas estreitas entre os povos que o constituem. Nesse contexto, desenvolve-se umha linguagem que consideravam proto-céltica, mas é celta, e que lança as bases dum antigo céltico no Atlântico.
 
Koch defende a ideia de que as línguas célticas originaram-se como um ramo das línguas indo-europeias nom na Europa Oriental, de onde se irradiaram para o oeste, mas surgirom na Península Ibérica (atual Galiza e noroeste peninsular) entre os galaicos, celtíberos e povos vizinhos as línguas paleo-hispânicas proto-indo-europeias e nom-indo-europeias nativas (relacionadas com o basco), com algumha influência fenícia no leste.

Deste cenário eles espalharom-se para o leste para o que foi mais tarde a Gália (moderna França, Alemanha e áreas vizinhas), onde as formas mais antigas das línguas itálica e germânica já teriam-se desenvolvido independentemente do proto-indo-europeu. Isto nom é aceitado por grande parte do mundo acadêmico, mas está promovendo novas visons de como o mundo Celta se desenvolveu, umha que podemos considerar claramente Europeia e que faz parte da nossa tradiçom cultural, mas que foi relegada a um segundo ou terceiro plano no que diz respeito às culturas clássicas mediterrânicas no mundo académico. Algo está a mudar.

 
Redacçom da web Celtia

martes, 27 de outubro de 2020

Vicente Viqueira sem ingerências

 

 
 Nom deixa de ser rechamante o nível de manipulaçom à que som expostos os nossos pensadores nacionais. Pondo de exemplo a Vicente Viqueira, um notável patriota que como outras grandes figuras foi caracterizado com falsos traços; entretanto que outros elementares e importantes som como sempre bem agochados e omitidos.

Num jornal digital esquerdalho o monicreque Manuel Miragaia descreve ao nosso Viqueira do seguinte jeito: “O nacionalismo galego de Viqueira era democrático, republicano, federal, socialista e laico, en contraposición co galeguismo conservador e católico de Vicente Risco”.

A própria wikipedia (gal)  fixo ressonância destas irrealidade como de costume. Mas é necessário ponher isso na biografia dum histórico galeguista? Abofé que sim. Miragaia e este tipo de jornais som herdeiros de toda umha récua imperante na opinióm do “galeguismo histórico” dende a óptica marxista dende o ano 1975.

 
Por sorte conservo na minha biblioteca pessoal umha das suas obras.“Ensaios e poesias” , e baste com botar umha olhada e decatar-se que defende um nacionalismo romântico um bocadinho influenciado já polo Castelao humanista na altura (já nom era o tradicionalista ultra-católico). Mas dende logo, Viqueira nunca está na contraposiçom do nacionalismo e genuino de Vicente Risco. Polo contrário Viqueira admira ao pai e mestre ideológico.

Na parte que ele chama DIVAGACIÓS ENGEBRISTAS aponta o seguinte:

Querendo corresponder ao honor que se me fixo invitando-me a falar dende esta tribuna que ten tan groriosa historia e pol-a que pasaron tantos espíritos seleitos e grandes oradores, aa¡fellas que meditei moito. Houben de renunciar por non hacharme con forzas d'abondo; mais vêndo que sempre debía pór o que poidera da miña parte na obra da renascenza galaica, fixen un esforzo e tratrei de decir algo; este algo son as presentes divagaciós engebristas.

Depois da interesante conferencia do señor Risco, onde nos espuxo con tanto coñecimento de causa a arte nova … Engebrista é o que engebriza, o que fai engebridade. Nós, que facemos o que é engebre, a engebridade, elaborando a materia que nos presenta a nosa alma, somos en fin de contas, ademais de todo o en “istas” que queirades, engebristas e engebristas por riba de todo.


No capítulo adicado ao "LIRISMO" evoca constantemente aos instintos raciais do país.

Lirismo é algo mais fondo, mais radical; lirismo é unha propiedade da alma. Pode tamén que tendamos a nos recollermos en nós mesmos, e tan fondo da nosa alma que as cousas n'ela van como perdendo a sua realidade eterna, e s'esván en puro sentimento arelante. Estas duas formas d'actividade consciente teñen o seu senso RACIAL […] Constitui a alma musical de Portugal e Galicia, que nos leva en reminiscencias, no mais aló dos tempos, â nossa RAZA céltica.
Hay unha antiga lenda nosa d'origen céltico que expresa o noso lirismo, saudosismo ou musicalismo. Eu non creio que ninguén da nosa RAZA poida ser feliz sen escoitar este rousinol divino.”
 
Se quadra para algum autorcinho como o Miragaia isto stem que ser umha autêntica tese marxista-materialista. Nos seguintes capítulos continua na mesma linha nacionalista autêntica, romântica, étnica e vitalista.

NACIONALISMO E ARTE

O nacionalismo, sendo evolución, é-o pol-o tanto de produción: é fonte de productividade estética. Supondo un home músico, d'alma música fáce-lle traballar no arte contra a sua propia lei e individualidade, fáce-lle porceder épicamente [...] É por esto que a historia fala sempre en favor do artista que comprendeu o seu propio ser ou o artista de RAZA.”
Castelao volveu sobre a sua RAZA e con un raro talento hachou un camiño. Mestre ja para os que veñan, quedará na nosa historia galaica como un criador e como un modelo”

O NAZONALISMO JURDINDO

“Cando pol-as baixas misturában-se elementos de regiós diferentes, as características lingüisticas e RACIAES afirmában-se mais ainda e juntos un provenzal e bretón eran aínda mais enxebremente provenzal ou bretón” 
 
No que concerce ao nosso pensar, nos seguintes título comprende o "nacionalismo" e "socialismo" dum jeito nada marxista ou materialista.

NACIONALISMO E SOCIALISMO

I – Eis dous têrmos que non se poden contrapôr: nacionalismo, socialismo. É mais: o segundo é probablemente un aspeito do primeiro. Nacionalismo é irmandade na patria, é sentimento de comunidade ideial, é vontade de vida unánime traballando nun momento da humanidade.

II – O fondo de todos os socialimos di: que a ninguén lle falte o pan dabondo, que todos teñan un fogar sob a garimosa teitume, que a escola seja igual para todos, que non haja fame nen tiranía. No que non se entenden os socialismos é nas fórmulas, nos planos para arranjar a sociedade de maneira que aquel estado justo realíce-se.

III – Mais ¿como sintindo o ideal comunidade de patria, pode se tolerar que haja ciudadáns de duas clás, os probes e esfameados e os ricos e privilegiados? ¿Cómo non sentir nojo en que para os uns sejan todos os bens da vida e para outros nada? O nacionalismo non ve mais que irmáns na patria e él quere que todo o ben común pártase entre irmáns. ¡O nacionalismo é o santo calor, pai do socialismo!-

IV – Os povos en que unha loita civil (de pobres e ricos) separe aos ciudadáns, cedo ou serodiamente morrerán; mais os que sinten en irmandade santa (onde as diferencias sociaes son pouco notabeis ou non existentes) non teñan medo á enternidade!”

Loita de classes? Ditadura do proletariado? Onde? PAPAINADAS! Poderia-se tratar mesmo de Rosenberg a falar da sinonímia entre Nacionalismo e Socialismo, o protagonista deste texto nom diverge ideológicamente em momento nenhum com o mestre. É certo que Risco jamais chamou-se assim mesmo socialista, polas connotaçons que dita palavra tinha em aquele tempo, associada ao marxismo, a um materialismo que detestava. Mas na prática Risco agia como Socialista, porque practicava um Nacionalismo “bem entendido“ como Rosemberg e o próprio Viqueira, um nacionalismo que nom entende de classes nem de divisons arbitrárias, um Nacionalismo que inclui a todos os membros do país, e que reconhece que a essência última da alma do povo descansa naqueles que cultivam a terra com as suas mãos e atopam-se longe da degradaçom desses campos de cimento e asfalto.
 
No seguinte texto nota-se ainda mais detalhada a impronta do mestre, e citando nada mais e nada menos que ao romântico Goethe.

SER OU NON SER

I - Arredor de min xurde o esplendente espectáculo da Primadeira, gigante ondeada de vida, de reproducción da realidade fonda, movida d'aquil perseverar no seu ser, da arela de vivir e que versificara Goethe. Cada átomo de vida exáltase cubizando perdurar en si mesmo e abranguer a mais maravillosa florazón […] O que non s'afirme e perdure será asimilado, esmorecerá, despois morrerá.

II – Cando un home atravesa na sua vida unha crise, pónse o dilema de ser ou non ser. Que é isto senon perguntarse: se como individuo ou non ser? Os povos, personalidade coleitivas tamén nas suas grandes crises sinten en toda a sua acritude o dilema de ser ou non ser. E non equival esto a seren co'a sua propia alma, co'a sua propia esencia ou non seren?

III – Os que AMAMOS Á NOSA RAZA GALEGA, ao noso povo e á sua persoalidade tan bela, sentimos hoje n'os noso peitos a angustia do ser ou non ser. Galiza se quer existir como un momento da civilización humán (única existencia dina) ten de ser ella mesma desenvolvendo as infinitas fecundas realidás que potencialmente encerra. Non podemos desejar pr'a ella mutilacios bárbaras, preludios de morte.

IV- Mas pr'a este é preciso que os galegos esteñamos dominados pol-o impulso d'existir. Tende aquí o capital. Fagamos profesión de fe de galeguismo e convservando sempre un hourizonte mundial profundamos nas fonduras da nosa historia. Cando unha grande e valora minoría (os precursores loitan rejamente) chea de alma accesa, de galaicismo nasza, suas energias iranse difundindo pol-o país enteiro e apresentaranse as producciós universaes da RAZA ao calor d'un novo ideal.

V- O noso dilema é, galegos, ser ou non ser. Seja un acto de vountade a súa resolución vital. Seremos con toda a plenitude de existencia. E a lingua ancestral n-os nosos beizos acredite a espranza inmensa na patria dos fillos!

O paifoco do Miragaia contará que estes textos nom tenhem semelhança com o "Ser diferente é ser existente” do mestre, NADINHA! Malditos Risquiáns!

A NOSA LINGUA

Galegos, amade, cultivade o rico tesouro da nosa língua. So falando-a seredes libres, ja que o home SEN RAZA É UNHA ABSTRACCIÓN. ¡ORGULO DE RAZA EU VOS PIDO! Ser libres e sel-o como homes, como RAZA e como individuo. E lembrádevos que dí Goethe: “So aquel que soubo conquerir cada día a sua libertade é dino de ser libre.”

Do seguinte capítulo ham estar bem orgulhosos os da fatoria Soros e o lóbi LGTB
 
O CAMPO E A CIDADE

Entre a cidade e a aldea houbo longo tempo fonda separanza. As gentes, habitantes das casupas agachadas nas vellas fragas e nas anosas carballeiras, poseían unha existencia propia, original, tiñan a sua língua, os seus usos, e do mesmo geito que o labrego traballaba as leiras, c'o arado celta, gardaba a sua alma, no mais íntimo, millentanarias reminiscencias. Os vellos deuses, cubizosos de fugir do exilio, moraban ainda ocultos nas congostras, n'os boscos, e n'os mariños penedos. Todo era alí primitivo, mais tamén rexo e sinceiro! Existencia verdade, producíndose real e positivamente de si mesma! Ali se mantiña intacta a alma galega e milleiros de GERMENS FECUNDOS, latitantes agardaban somente un impulso para desenrolaren, que non viña de ningures, porque a cidade, que debía da-lo, iñorábase a si mesma e â durmente campía. Dito d'outra maneira: non jurdía a visión crara dos problemas do país.”
 
¿Cál era a razón d'esto? Houbo en Galicia unha época, e algúns viven ainda nela, na que se cultivaba unha vida falsa d'irrealidade e apariencias; críase en cousas imainarias e esquecíanse a substancia e os problemas do noso povo. Os galegos deron en imitar unha existencia banal e leviana, DECADENTE e AMANEIRADA. Ainda nos momentos d'espargemento, nos que parece tiña de predominar a espontaneidade, jurdía o RASGO D'EXOTIDADE que deviña âs veces de BRUTALIDADE. O canto e a poesía, entre outras cousas engebres, se desleixaban e as prazas de touros se lixugaban con sangue, entrementres, en festas bárbaras contrarias aos INSTINTOS RACIAES.

O QUE PRECISA A NOSA JUVENTUDE

Oje os homens novos que podían ser unha esperanza háchanse nas mais das veces n'un triste estado. Os uns atópanse sumidos n'un groseiro materialismo; están sô para aquello que eles chaman práctico. Os outros encóntranse domiados por un neurotismo egoista entre rayolas de lua, Colombines e Pierrots! Eu sinto pena, eu sinto un dôr fondo ante o espectáculo da nosa mocidade.

Para regenerarse as novas geracións deben encerse de idegalismo, ROMANTISMO, de entusiasmo pol-as grandes cuestiós humanas. Non quero eu un idealismo tolo como o de D. Quixote; quero un idealismo práctico da vida. Este exige que nas cousas mais pequenas da nosa existencia penetre a ideia e as aloumiñe.

Un exemplo d'este idealismo vol-o ofrece o zapateiro-poeta santiaguês, un grande representante da NOSA RAZA, que facendo zapatos n'un modesto taller compostelán, creaba un dos dramas millores d'España. Na sua alma iban surgindo, mentres realizaba o seu traballo de humilde artista, verbes que traducían todas as arelas da NOSA RAZA.
 
Cando a nosa juventude, seja ROMÂNTICA, idealista, volverá a ser galega, porqu'o ROMANTICISMO e o idealismo é esencial â NOSSA RAZA. […] Juventude galega, non teñas vergoña de sentir, de chorar as grande COITAS DA RAZA, da patria e dos homes, non renegues d'elas. Juventude galega, faite idealista, ROMÂNTICA, poetizante. ¡O mundo será teu!”

A respeito da sintetizaçom no tocante identitário Galaico e Europeu continua na mesma linha do mestre e sem defraudarmos no capítulo com o que finalizo este trabalho.
 
 GALIZA – IBERIA – EUROPA

Nós, galegos, como toda nación, temos unha misión que cumplir. Temos que crear n'estas verdecentes costas atlánticas unha nova cultura ibérica, da que depende o porvir d'Iberia mesma. Nós representaremos unha civilización céltica do sur próxima âs actuás civilizaciós célticas europeias, de grandísima exquisitez, asín como éstas c'as culturas do centro e norte d'Europa. Dixen.”
¡TREME A NOSA RAZA COMO UN GIGANTE DURMIÑENTO E AMEAZA C'UN MEDOÑENTO DESPERTAR!”

CARALHO COM O NACIONALISMO CÍVICO ANTI-RISQUIÁM!! 
 
Suponho que aos upegalhos que se lhes deu por botar umha olhada a esta obra estaria-lhes a piques de estourar os seus cerebros esboçados com panfletadas marxistas e feministas. 
 
Xoán Vicente Viqueira Cortón foi um dos nossos, e pouco ou nada a ver com os que dim em chamar-se hoje nacionalistas. Quem queira seguir a mesturar marxismo com nacionalismo histórico é livre, assi mesmo como de pendurar ridículas estreleiras na galeria, mas só se vos pide umha cousa, e é que deixem de manipular aos nossos pensadores.

 
Manuel Miragaia fotografado no túmulo do poeta andaluz Antonio Machado. Anti-nacionalista honrando a outro, este derradeiro deixando escritas perlinhas robesperrianas como a seguinte:
 
"De aquellos de quienes se dicen ser gallegos, catalanes, vascos, castellanos, etc... antes que españoles, desconfiad siempre. Suelen ser españoles incompletos, insuficientes, de quienes nada grande puede esperarse" Antonio Machado Ruiz


Afonso Denis Carvalho Souto

Fascismo e Nacional-Socialismo a juizo de Risco

"Horrez gain, ni ez naiz faxista, nazional sozialista baizik" "Ademais, nom som fascista, som nacional-socialista" Jon M...