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xoves, 24 de decembro de 2020

Pátria, Naçom e Estado

 PÁTRIA, NAÇOM E ESTADO

Álvaro das Casas


PÁTRIA

Todos sentimos a pátria, cantada em cada língua por milhares de poetas e amada na mais confusa emoçom do nosso ser. Mas, que é ela? Como é ? Onde estám os seus límites?

A pátria é o lugar onde nascemos, o ámbito em que passamos os nossos primeiros anos, e mais ou menos reduzido ou amplo, segundo os nossos olhos alcançaram ver. Para uns, é simplesmente umha aldeia; para outros, um município, para outros ainda, umha província. Remata alí onde começam a se diferenciar as paisagens nativas -a alta montanha para as gentes do val, a campina para os que nasceram nas serras. Porque nós homens, percebemos a nossa situaçom no espaço muito antes de comprender a nossa situaçom no espaço, muito antes de comprender a nossa situaçom no tempo, a pátria constitui o nosso primeiro enquadramento no meio humano; marca a nossa posiçom geográfica no orbe e dá-nos sempre umha ideia formal: o relevo, a paisagem, a fauna, o tipo de homens que vivem connosco. Porque nela passam-se os anos mais afectuosos da nossa vida, porque dá fundo às nossas impressons conscientes, porque nela acontecem as nossas primeiras convivências familiares, é sempre -até a morte- inolvidável. A pátria anda nos nossos olhos, nos olhos do corpo, até o derradeiro instante da nossa existência. Nom nos importam a sua bondade ou a sua beleza. Amamo-la porque é nossa e recordariamo-la contra a nossa própria vontade. Lembram sempre com emoçom a sua terra natal, do mesmo modo os que nasceram no fundo musical dos vales suissos, como os que viram a luz primeira nos desertos africanos; o que nasceu entre as cupolas graciosas de Constantinopla, como o que balbuciou as suas primeiras palavras na pobre morada transmontana. Influi em nós profundamente, essencialmente, até o ponto em que o meio geográfico determina as nossas vidas. Diriamos que nom faz a nossa anatomia, mas, sim, a nossa fisiologia: modula a nossa voz, colora o nosso cabelo, matiza a nossa pele... Os nossos olhos estam mais ou menos fechados segundo os nossos primeiros anos correram entre os geos finlandeses ou nas margens do Mediterrâneo; a nossa pele será mais ou menos áspera ou suave conforme na criança tiveramos habitado no alto do cordal andino, à beira do mar Cárpio ou na mole tibieza galaica.

Uns povos som diferentes de outros porque os seus paises, as suas pátrias, som diferentes também, e nom somente porque o clima ajudou a constituí-los, senom porque através dos nossos sentidos moldou-se a nossa inteligência, "Nihil est in intellectus quod prius fuerit in sensu". Atrai-nos o alcool se vivemos em meios frios, domina-nos a preguiça se habitamos nos trópicos, e somos apaixonados, violentos, coléricos, nostálgicos, sentimentais, pacíficos, um pouco pola temperatura que nos criou e polas primeiras visons que nos deu a natureza.

A pátria é o nosso mais inmediato vencelho para com a humanidade, o primeiro anel dumha grande cadeia que nos prende ao correr dos séculos. Nom nos é doado escolher pátria. Mas os nossos pais, sim, podem escolhê-la à capricho para nós, elegindo livremente o lugar do nosso nascimento e criaçom, cousa que nom ocorre com a nacionalidade. A pátria prende-nos assim cum amor meramente instintivo e engendrado pola simples contemplaçom. Se reacionasemos, tal vez preferissemos outras pátrias à nossa, mas estamos satisfeitos com a que nos coube, tal qual a vemos, sem pararnos a analisar nela nem a botânica da sua vegetaçom, nem a geologia do seu cham. Um homem ao que lhe faltassem todos os sentidos seria incapaz de comprender a sua pátria, e lançado para longe dela jamais sentiria a menos nostálgia, porque os seus olhos nom poderiam recordar a cor da terra nem a transparência do ceu, nem os seus ouvidos o polífono diálogo da paisagem -o mermúrio do rio, o asubiar do vento no bosque, o gorgeio dos passaros -nem o seu gosto aos manjares que primeiro comeu, nem o seu olfato ao aroma dos seus campos, nem o seu tacto ao complexo físico do seu primeiro ambiente. A pátria é forma, elemento sensual e por isso é compreendida ainda polo pervertido e polo desagrado, incapazes de perceber valores espirituais. De muitos homens sem etnia, desprovidos de toda significaçom moral, estranhos em todos os paises, sem afecto para nada nem para ninguém, dizemos -som os "sem pátria" (apátridas). E com tudo, dela recordam-se e , queiram ou nom, estám ligados a ela e, precisamente polo seu rebaixamento, é a pátria - sensaçom física - a única que os situa no mundo, som valorizaçons intangíveis, espirituais, metafísicas, que enchem o ámbito da pátria em longas projecçons do passado e do futuro.

NAÇOM

Mais dificil de comprender é a naçom. Para Renan e Jellinek é umha unidade espiritual: para Haurion, "um grupo de populaçom unido a umha terra determinada, que convive em parentesco espiritual, e desenvolve um pensamento de unidade: para Manzini, "umha sociedade natural de homens, com língua própria, que aceitam umha comunidade de vida e sentem umha consciência social": para Burgess, "umha populaçom dotada de unidade étnica, que habita um terreo dotado de unidade geográfica": para Durán i Ventosa, a sociedade natural e histórica "nom pode depender na sua existência dum facto accidental, como é o reconhecimento do lugar que ocupa", e de facto, a Grécia, a Turquia e a Polónia, eram naçons antes de serem reconhecidas estados, e os judeus constituem umha das nacionalidades mais características, e andam espalhados polo mundo, sem área geográfica em que se refazer. Para Spengler, naçom equivale a "povo de cultura" e é, "como todo corpo vivente", de rica articulaçom interna,e, "pola sua méra existência, umha espécie de ordem".

Naçom é umha comunidade de gentes, que falam um mesmo idioma, vistem-se de maneira análoga, sentem o mesmo princípio religioso, têm os mesmos costumes e conviveram  o mesmo passado histórico. Ao conceito de nacionalidade é alheio o de soberania sobre o território, pois, como diz mui bem Prat de la Riba, "o escravo romano era homem, embora as leis do seu tempo só o reconheçam como umha cousa em mãos doutro homem, do homem oficial, que as leis reconheciam, e a naçom era naçom ainda que as leis tivera-na sujeita a outra naçom mais privilegiada". Assim como a pátria surge connosco, a Naçom é anterior à nossa existência e chega-nos pola lei de herança. Aquela é meramente o "jus soli", e esta é o "jus sanguinis". É assim como a pátria é umha impressom física, a Naçom é um sentimento moral. O homem e a Naçom - escreve Graça Aranha - a afirmaçom do individualismo transcendente e o renascimento do espirito da nacionalidade, som as suas forças que recomponhem o mundo nesta curva da história.

A naçom é umha entidade natural, um corpo vivo, que nasce, cresce e morre, sempre cumha vida secular. Cruza-se, procria-se, torna-se esteril, escraviza-se, liberta-se. Póde alcançar alturas de heroica dignidade e cair em tremendos processos de degradaçom, e é sempre, seja qual fora a sua situaçom, umha possibilidade de Estado. Póde conviver numha demarcaçom geográfica, ou estar dispersa e desagregada.

Vemos a pátria quando começamos a perceber as formas que nos rodeiam, e sentimos a naçom no nosso primitivo estado de consciência, quando percebemos que há umha certa solidadirade que nos liga a outros homens que falam, rezam, cantam e vivem com nós. Em muitos povos - nós, os galegos, por exemplo - os sentimentos de pátria e nacionalidade juntam-se, mesturam-se, tornarom-se inseparáveis, polo culto aos mortos. Nom nos importa morrer sendo onde e como morremos, e umha preocupaçom domina-nos sempre que é a de sermos enterrados na nossa terra; as nossas cinzas, confundidas com ela, ligam-nos entom aos nossos antergos e ao elemento primário da nossa pátria. Espantanos a ideia de morrer enterrados em pais estranho, e consola-nos a esperança de que o nosso pobre corpo poida ser levado a dormir o sonho enterno à sombra do nosso lar. Na ofrenda da velhinha, que vai derramar auga benta sobor o túmulo paterno, há umha exaltaçom do cham nativo e um tributo aos seus mortos. Ela, inculta, agarrada à sua aldeia como a hera ao tronco das árvores, presente que sua terra ama-a apaixonadamente e sabe que se puide-se andar polo mundo afóra, o caminho chegaria a umha altura em que a sua língua nom seria comprendida, em que Deus nom seria visto como ela o vê, em que as leis e os costumes importariam-lhe umha vida alheia à sua espontânea maneira de ser. Fixa instintivamente os límites da sua pátria e, sentimentalmente , os da sua nacionalidade. Mas onde remata exactamente a Naçom? Onde os elementos substantivos da existência som outros.

A nacionalidade prolonga-se através de dialectos dumha fala, de maneiras, de formas, de expressons diversas; dentro dela há regions, comarcas e províncias. Mas, no alongamento, chega-se a um límite em que as palavras nom som diferentes pola sua fonética, senom pola sua morfologia; em que os trajes variam porque correspondem a outro clima; em que as danças som outras, porque expressam outros temperamentos; em que a terra cultiva-se de maneira diferente e com productos exóticos, em que a paisagem tem outra estructura, em que nosso coraçom sente ánsias que já nom som comprendidas; em que as leis e os costumes contradizem os nossos hábitos e contorsem a nossa típica idiossincrasia... Nessas fronteiras acabou-se a nossa nacionalidade; daí em adiante pesa sobre nós a estranheza.

ESTADO

Assim como a pátria é umha apreciaçom física e a Naçom um sentimento étnico-moral, o Estado é umha valorizaçom jurídica. Habitualmente confundem-se Naçom e Estado, e até chega-se a vislumbrar no desejo de diferenciâ-los, umha rija vontade secessionista.

Acostuma-se a dizer que o Estado é a expressom jurídica de Naçom, a Naçom organizada, legalizada, herarquizada, em plena soberania dos seus destinos e com plena existência internacional. Para o mestre Gaston Jéze, contudo, o Estado póde existir sem reconhecimento oficial, "da mesma forma que umha criança vive ainda que o seu nascimento nom seja reconhecido". Mais exacto, o mestre Le Fur assinala-lhe um território a umha povoaçom, e exige-lhe "umha actividade governamental". O mestre Jezé estaria certo se Naçom e Estado coincidessem, ou se se referisse à Naçom. Naçom e Estado expressam solidaridade, mas na primeira estabelece-se chegando do passado, e no segundo como umha vontade de futuro. A Pátria está fóra de nós, a Naçom em nós e o Estado sobre nós; os límites da Pátria som geográficos, e os da Naçom étnicos, e os do Estado jurídicos; aqueles dependem da amplitude da nossa comprensom, estes da força dos nossos sentimentos, e os do Estado do nosso interesse e da nossa necessidade.

A vontade, o interesse, a necessidade, som as determinantes do Estado - forças estranhas ao poder da nossa sensibilidade, da nossa capacidade sentimental. A uniom das famílias ligadas entre si por parentesco e semelhanças diversas, originou expontâneamente a Naçom, no entanto, o Estado foi criado de propósito, quando se sentiu a necessidade de viver em ordem, de acomodar-se a umha forma de direito, de mandar e obedecer - quando se percebeu a possível incompatibilidade entre os nossos deveres e direitos e os direitos e deveres dos outros. A nossa vida zoológica liga-nos a umha pátria e a nossa personalidade humana vencelha-nos independentemente da vontade, e de que nunca mais poderemos desligarmos; atingida a maioridade, em direito, podemos escolher o Estado que mais nos convenha dacordo com a nossa vontade, porque o Estado herda-se, mas também ganha-se e perde-se, e é objecto de renúncia. O alsaciano, por exemplo, polo seus idiomas, os seus costumes, a sua antropologia, pertence à naçom germana, e agora é membro do estado francês, como antes de 1918 era do Estado Alemám; amanhã o seu pais pode ser conquistado pola Suiza e ele será suisso, ou pode tornar-se independente e entóm será cidadam alsaciano. Um inglês, se assim lhe convier, pode renunciar ao seu Estado - England - e tornar-se cidadam uruguaio - o que, impropriamente diz-se nacionalizar-se. Um menino, filho de judeus austriacos, nascido em Albacete, será pola pátria castelám, pola nacionalidade judeu e polo direito súbdito do Estado austriaco. A pátria existe no espaço, a naçom no tempo e o Estado na lei. Um dia, por necessidade ou por conveniência, os cidadans portugueses, os espanhois e os franceses poderiamo-nos juntar num só Estado, mas as nossas naçons, até assimilarem-se, seguiriam vivendo distantes séculos e mais séculos, diferentes entre si, e tam rápidamente quando seja a nossa potencialidade de conquista; nem depende de nós esmagar umha nacionalidade - que póde perviver através da escravitude mais tirânica - mas sim, destruir um Estado tam logo quanto rápida seja a sua conquista.

Álvaro das Casas

sábado, 7 de novembro de 2020

A' Galicia de Xoan Manoel Pintos

 Velaqui vai esta oda a Galiza de Xoan Manoel Pintos, políticamente incorrecta hoxe, tanto que remata deste xeito:

ln hoc misterium fidei firmiter profitemur.

D' aqui non nos arrincan herejes nin gentios,
Nin tod' os protestantes con mouros e judios.


O poema foi publicado pola primeira vez na Coruña, na Revista de este Reino, nº 23 (1 de setembro de 1861) p. 364-368. A edición dixital corresponde á da bloqueira Bilioteca Virtual Galega.


A' Galicia

Texto íntegro [páx. 364]

GALICIA

Misit dives Gallaecia pubem.


Fermoso labrador que sin cansazo
Fas recachar o mundo, e mil primores
Germolla a feixes por un mar de frores
Con sò quencelo ti dend' o teu pazo:
Ti que o calor difundes po lo espazo
Brillante Febo que de côte giras
Cheo de luz po lo alto firmamento,
Sin que as, edades fagan decremento
No fòco, imnenso de que fógo, tiras:
Notorio, decumento,
Froron dourado po lo azul dos cèos
Que así confunde a impios com' a atéos
Ti que benino a miña terra miras
Carís lle póndoalégre de contento,
A Deus lle pide por un breve instante
Que lle dé forza a meu cativo alento
Porque louores a Galicia cante.

De Finisterre ò monte Parafita,
De Santa Tecla ò cabo de Ortegale
Hay o tallon de terra mais bonita
Que España tèn ò norte occidentale.
Báñana toda caudelosós rios
Cadoiros e torrentes,
Que ò cair de curutos e vertentes
Borbollando escumoso los seus brios
Freixas de prata po lo fondo corren
Fasta chegar ò mar a donde morren.

Xorreiras de lintura
Regálanlle as entrañas, e na tóna
Debroulla, o paramento,de verdura
C' o amor de Frora, Ceres e Poucona.
Rescenden po los ares os olores
Das herbas e das frores,
Se mecen a marèas as espigas,
E entre tal variedade de colores
Mimosa randa a freba das estrigas.
Penduran ricas froitas das froiteiras,
Abondan as madeiras
Nos soutos, e debesas e folgadas
Con vigas muy liñeiras
De valentes toradas:
E resóa o balbordo dos pinales
Como de cóte berra o mar na costa
Batendo as ólas contra os areales.

Paxáros infinitos rebulindo
No tempo desque vèn a Candeloria
Nas ponlas e singeles penduricos
Cantan qu` è un-ha gloria
Alboradas de muitos repinicos.
De pólos e de pitos
De galos e galiñas hay a pòte
De òvos se facendo muito lote
Que para fòra vai en cargamento;
De barato alimento
Perdices, e coenllos, e mais caza
Sempre está chea a praza,
De todo comestible, e mantimento
De canto se magine de comida,
Sustancia, de fartura e bó sustento
E regalo á apetencia de esta vida.

Hay bos viños de corpo que apresentan
De branco e mais de tinto varios córes
De agullas, refrescantes, turruxeiros,
Que poden se repór òs mais primeiros
Prézados po los Reis e Emperadores.
¡De Amandi, de Castrelo, e Valdeorras
¡Que viño de sabor e cacheteiro!
iQue rico è o tostado e paladeiro!
Se poden abillar as mesmas borras
Dos viños esquisitos do Ribeiro.

Nas granjas branquexean os pombales
Que niños son de amor e de inocencia
E ò longe dan sinales
Da paz do campo don da Providencia,
Voando branca, pombas ò redore
Cal anjos de purísimo candore.
E no abrigo por sitios muy sollosos
En ringle estan curtizas das sobreiras
De donde sàn (1) enxames numerosos
De abellas sin cesar traballadeiras,
Que voan espalladas e zoando
Dozuras van sacando
Das herbas e das frores,
Nos dando as habiIdosas frabiqueiras
De valde os seus suores,
De mél e mais do cera por mancheas
Productos delicados nas enteas.

Multitude de ovellas e carneiros
De crabas, e castrons, crabitos, años.
Pastando vai nos montes en rebaños
Subindo às cotorelas e òs outeiros;
E nas chouzas e veigas,e nos prados
Os maores ganados
¡Que vacas tan leiteiras!
¡Que becerros engorda o seu leitiño!
¡Que bois os de Laíño!
N' è milagre que as bulsas estrangeiras
A mercalos nos sayan ò camiño.

De vácaros-tamen hay, muito gando
De un iuzo prodigioso e muy frecoente,
Ec' a fariñaa e landres se cebando
Acòdelle na feira muita gente;
Sendo cousa evidente
Qu' è muy ,prezado alá po Ias Castelas.
Jamon de Lugo e mai lo de Caldelas.

De mulas e cabalos a milleiros
De aguante e corredores,
Por chano e cósta arriba gaveadores.
Puxando por quedar sempre dianteiros
Asi ja son citados de primeiros,
Nas festas que dispuxo Escipïon,
Decindo Siltio Itálico gabando
Que voaba o caläico Lampon. (2)

¿E que direi do abondo de pescado
Que Tétis bóta aqui' o regazo cheo?



————————
(1) Por saben.
(2) Sil. Ital. De bell. pun. lib. 16.


[páx. 365]

Non hay no mundo un povo regalado,
Por natureza com' o meu terreo.
Navallas, bucareus, e caramujos,
Parrochas, birbirichos, e barbadas
Percebes, panchos, pragos e curujos
Alfóndegas, e pirlos, e pescadas,
Samborcas, pintarroxas, zamoriñas,
Jarretas, sollas, brècas,
Ameijas e fanècas
Escachos, lapas, lirios, e anduriñas,
Rañartes, congros, chócos, e carneiros,
Panchoces, chèrlas, èixes, peixespadas,
Besugos e douradas,
Crabudos, bertorellas, e pateiros,
Escalos, arroaces,
Eiròas, robalizas, e basocas,
Praguetas, e jurelos, e sardiñas,
Centolas, bois, atúns, e barallocas,
Sabenlas, pintos, lorchas, e zancados,
Bonitos, lirpas, mendos, cabaliños,
Vieiras, e corniños,
Torpédos tabirons, pombos, lenguados,
Ourizos, ollos moles, sanmartiños,
Anguias, tranchos, crabas, jardas, ostras,
Buraces, e touriños,
Maròlos, tingas, luras, e lagostras,
Robálos, rodaballos, e moreas,
Salmóns, e troitas, muges, e corbiñas,
Doncellas, camarons, e mais lampreas,
Beltráns, e longueiróns, rayas, buguinas,
E mèlgas, anguiachos, caranguexos,
E nècoras, e pulpos, e badèxos.

A mais de todo eso a miña terra
De minas de metales un tesouro
Fechado nas entrañas inda cerra,
Correndo po lo Sil pìbodas d' ouro.
Mais inda o tèn maor na gran bondade
Do clima tan mirnoso,
Que a gente è forte, san, de muita dura,
E fácilmente o enfermo se precura,
Pois nin o vran (1) n' inverno è riguroso
Por eso nas edades ja pasadas
Correndo aquela sóna
Colocaban as Illas Fortunadas
Nas Illas de Bayona. (2)
Por eso foi notorio e saben todos
Como certa noticia,
Que a este chan saudoso de Galicia
Se viñan a criar os Reyes Godos.

Pois con taes elementos, ou Galicia,
¿Porque se me apresenta a tua image
C' os cabelos voando despargidos,
Desarrombado o trage,
C' os ollos mornos, tristes e afrigidos?
¿Dos tempos que son idos
Alémbrache a tua lanza tan temida
Que ó lexos centellaba,
E ò mais valente peito amedrentaba
Si a voz dabas de guerra
Atroando nos fondos e na serra?
¿Alémbranche os aceiros tan gabados
Das hostes africanas,
Que os fillos teus pediron, e levados
A Annibal Ile lograron o renome
De vencedor de Canas?
¿Alémbrache que Roma poderosa
Leirar tuvo contigo centos d' anos,
E que Bruto chamábase o Galego
Soberbio e fachendoso entre os Romanos?
¿Alémbrache de aqueles inimigos
Feroces e tiranos,
Que cal marèas, viñan en legions
Topando nos teus fillos con leons?

Os mesmos inda son, nobre Galicia,
Que nunca o pè na guerra atras volveron
Anque dèz se tirasen contra cento.
Con valeroso alento
Seus lares e sua patria defendian,
E si a Ioitar morrian,
Tamen ò forte empuxe do seu brazo
De nervos com' o ferro,
De capitón a tombos reboladas
Para un inmenso enterro
Caían as legions descartizadas.
Con voces de trebon alí Galicia
Soaba entre os estrondos
Das armas e dos berros.
E o longo abouxamento po los ares
Corria, e po la terra, e po los mares,
Chegando ò Capitolio, onde temian
O fin de tan heröica constancia...
E do Medulio os concos repetian
¡Terror de Roma, horrores de Numancia! (3)

Un ha grande marèa de barbárie
Dimpois alá no Norte se ajuntando
A enchente desbordou e sobre Roma
Caíu, o seu poder asolagando.
E ti, nobre Galicia, resollando
O loro infame ròmpes centenario
E cinges a primeira a gran coroa
C'o signo redentore do Calvario.
Somente así quixeche a Reciario
Soberano dos Suevos,
E c' o os teus valentismos arotrevos
Do mundo cristiano ès alegría,
Fundando así a primeira monarquía.
O cetro ten estonce repasaba
Leon e Lusitania e a Castela
E anque escurecida a tua estrela,
A lengua tua di quen foches ante, (4)
Pois inda en Portugal está reinante,
E nos códigos mesmos castelanos
A miles hay os termos galicianos.

Os Godos ja dos Suevos vencedores
A Iberia gobernaron largo tempo;
Mais sempre de Galicia prezadores
Po lo seu valimento,
Lle daban ousequioso tratamento
Por eso os fillos seus já se chamaban
Os Príncipes entonces de Galicia
Que era a sua delicia,
E aquí en Pazos de Rey se lle criaban, (5)
Convindo ter de parte e por amigos
Os qu' eran de temer como inimigos.

Caíron tamen eles do seu trono,
Que nada está seguro acá na terra,
E as faltas e crímes deles fono
A causa de heredarmos triste guerra.
O libro da esperencia non aterra
Ós altos relaxados
Que da moral se rín desprocatados
E cuidan ser eternos
Que nunca baixarán par' os infernos.
A lástima è que sendo delinquentes
Por eles o castigo paguen outros
Que foron inocentes.
Quedáran bèn patentes
Exempros de Lucrecia e de Virginia
Que o sangre seu verteron
E povos encenderon,
E fogo nos poderes atearon
Aqueles que da afrenta se vingaron.
Así afiando a Morte a sua gadaña
En África incirrada e muy acerba


————————
(1) Por Verán.
(2) Ortelio. Morales. Sarmiento.
(3) V. Gándara lib. 1.º A. y T. de G.
(4) Mariana. Lib. V. c. 1.º y 3.º Puffendorf. intr. a l' hist. del' Un. p. 145. Sarmiento. t. XVI S4914.
(5) Gándara lib. 2.º


[páx. 366]

Nun brinco se chantou acá en España
Segando nas cabezas como en herba.
Florinda Ile gritára, que è testigo
Da violacion infame de Rodrigo.

Dos Mouros o estandarte ja trunfante
Pasea por España: o sabre corvo
A heito leva todo por dïante,
Sin atopar atranco nin estorbo,
Poñendo de Mahoma leis, costumes,
E inxirindo en Castela novos numes.
A santa religion contaminada
Se víu alí, e a mesma Iingua patria
Con voces arabescas misturada.

Pero non foches ti, Galicia amada,
Quen o jugo sufriu tan afrentoso.
Teu povo valeroso
C' o fillo de Favila aqui nacido
Un berro aterradore deu de guerra,
Que espanto lle causou á gente perra.
Em por eso algun tempo aquí pararon
E fixeron destragos ben arreo;
Mais nunca de sosego eles lograron
Que sempre os axotaron
As picas e bisarmas do terreo.
Por adentro do séo
Da patria e religion o fogo santo
Na gente de Galicia atéa tanto,
Que morrer só deseja,
Primeiro que sufrir á negra mingua
De que os Mouros lle manchen a sua lingua.
Nin as leis, nin costumes, nin a Igrexa.

Ciádos po los nósos e mallados
Os lindes de Galicia botan fòra
Tocándolle a Galicia ser señora
Da reconquista po los seus soldados.
En ela foron sempre sinalados,
E ja en Leon un ascendente houbo
Do Bon Guzman, que moribundo soubo
Render o còlo ò alfange de Almanzore
Antes de ser à patria vil traidore.

Ilustre fillo da leal Galicia,
Guillermo valeroso,
Firme, constante, fiel, pundonoroso,
Un ano inteiro rechazache o mouro,
Sin que pudese reducirte o ouro,
Que che ofrecia aquel batalladore
Que ò fin matoute; pero a sua cabeza
Rodou bèn presto en Catalañazore.

En todas partes, si, Galicia soa
Con gran alaudo po la valentia
E nas historias a nobreza sua
Tuvo e terá sempre nombradia.
Eles seguiron en tan santa empresa
Fasta acabar c' os Mouros
E en toda las batallas se atoparon,
E c' o maor denodo pelearon
De noite e mais de dia,
Nas Navas, en Toledo... a sua espada
Como rayo tremendo resplandía
Por riba das murallas de Granada.

Por eso ti Galicia regalada
Po Ias tuas proezas e fazañas
De privilegios foches sinalada
Mais que ningun-ha gente das Españas.
Por eso ainda agora os teus altares
Ostentan sempre vivo o Sacramento
Que seja manifesto documento
Da gloria dos gallegos militares.
Por eso o regimento de Galicia
Que chaman o Señore
A naide de este mundo Ile rendia
A bandeira, que Reina do valore
Somente se rendia ò Salvadore (1)

De blasons e de timbres resplandentes
Po los montes e campos e ciudades
De Galicia se atopan muy frecoentes
Pregoando as suas altas cualidades
Ilustres apellidos de nobreza
E títulos de altísima grandeza,
Que o maor privilegio arraiga nela
De publicar os Reyes de Castela. (2)

En toda Ias edades os Gallegos
De España muy leales defensores
Probaron po lo mar e po la terra
Que non se presentaban nun-ha guerrra
Soldados mais valentes nin mellores.
Gallego foi Fernando de Saavedra
Que en campo de batalla a Alonso Enriquez
Que Rey de Portugal foi o primeiro
O fixo por sua man él prisioneiro.
Gallego foi aquel que alá en Pavía
A Francisco primeiro Rey de Francia
Por entre os seus cabalos se metendo
E a mesma sua manopla lle collendo
Entre os seus prisioneiro alí o facia;
E tanto foi o honor e fidalguia
Do soldado gallego Alonso Pita
Que con carrage súpita inaudita
De lado del se puxo por salvalo
Dos qu' iban cometelo por matalo.
Francisco llo atestou agradecido,
E Cárlos de Alemania Emperadore
Mandou que sempre fose distinguido
C' as armas de Francisco o seu valore. (3)

Pois sendo os fillos teus tan sinalados
En feitos de heroismo tan brillante,
¿Por que vejo Galicia o teu semblante
Dorido e morno, os ollos apagados?
¿Recéas ti de vernos cautivados
Con pouco folgo agora no presente,
E que a tua lanza limpa e refulgente
Non teña brazos inda preparados?
O contrario este seclo che evidencia
Na guerra da famosa independencia.

Inda hoje c'a reixa dos arados
Ou òs golpes tallantes do legon
Escachan muitos òsos dos soldados
Do Atila d' esta edá Napoleon.
San Payo foi o termo da invasion
Que alí de Cotobade, de Morrazo,
De Galicia se ergueu o forte brazo,
E con fouzas, bisarmas e gadañas
Abate po lo chan vertendo sangre
Os membros da gavilla das Españas.
¡Atrás! ¡viva Galicia!
Berraba aquela súpita milicia,
E Ney e Sul temblaron
E fòra de Galicia se escaparon. (4)

Galicia regimenta o paisanage
E dentro de Santiago ja impacente
Minerva se levanta refulgente
Gritando ¡às armas! chea de carrage.
Os alumnos formando un oleage
Sacoden os mantèus e voluntarios
Dïante do Apóstol juran todos
Formando un batallon de literarios,
Por patria e religion morrer mil veces
Antes que o jugo sufran dos Franceses.

Aquel mundo de gente agergillado
Nos campos de Castela se presenta
E alí todo se alenta,
E fólganse no peito os corazons
De ver da sua esperanza a nova estrela



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(1) Clonard. hist. org. dl.. arm. de inf. y cab.
(2) Altamira.
(3) Gándara. 2.º pte. 1. 4.º c. 8.º p. 541.
(4) V. Historia de Pontevedra. p. G. Y.-Manifiesto de los Alumnos de Santiago en 1882. impr. Montero.


[páx. 367]

Ollando para os nosos batallons:
Betanzos, Mondoñedo, Compostela,
Santiago, Pontevedra, Tuy, Ourense,
E Monterrei, con outra mais milicia
Debaixo da bandeira de Galicia.

Ós vencedores de Austerliz e Jena
Conversos en gavilla sin exempro
Das nosas casas, e do noso tempro
Adoitos ò asoballo e a far saqueos,
Cribounos méchos en revolto sangre
Galicia ò pè dos montes Pirineos.
De ver tantos trofeos
Welinton asombrado
C' o sombreiro quitado
Ó invicto General gallego Freire
Lle da a sua man, e dille arrebatado:
Feliz España, que con estes fillos
Da escravitú jamais poñerá os grillos! (1)

Finada aquela loita ¿quen diria
Que o trunfo nun momento
En vez de regocillo e de contento
Un pano funeral o crubiria?
Os héroes ¡ay! e fieles defensores
Da patria foron todos perseguidos,
E gobernos traidores
Lles deron de agasallo e de preséas
Patíbulos somente, e mais cadéas.
Seis anos ja levaba en triste pranto
España que amarrada ó despotismo
Escrava sin alento no crebanto
Non daba ja señales de civismo;
Cando un gallego ardendo en patriotismo
O General Quiroga unido a Rego
Uu grito santo da en Andalucia
E torna España à vida e à alegria.

Pero ¡ay! ¡aquel contento
Cal lòstrego pasou en un momento!
¡Volvendo muy agiña os farisèos
Que gritan libertade a boca chea
Detrás dos Pirinéos
E queren gobernar a casa allea!
¡Cen mil deles viñeron
E tendo ja o camiño preparado,
Por degredo fatal de negro fado
Señores ¡ay! de España se fixeron!

Pero ò entrar en Galicia
A gálica milicia,
Na Cruña tiña posto o pensamento,
Non julgando que alí non entraria
Sin pagar muy bèn caro o atrevimento.
Chegouse pois c' a sua artilleria
Cuidando achar aberta
A praza que c' a gente en bateria
Paraba na defensa muy alerta.
A garnicion esperta
Vislumbra dibuxado en grandes sombras
Po la porta de Abaixo e na de Arriba
Quen ò frances reciba:
É Marte c' a sua lanza relucente,
Neptuno impetuoso c' o tridente.

Anque España ja toda está rendida,
E casi tod' as prazas ja tomadas,
E a libertá perdida.
Na Cruña vai a dar as boqueadas;
Non pode consentir, o honor llo adita,
Que o mais fero inimigo sin ver sangre
Profane a gran ciudá de Maria Pita
¡Oh heroína ilustre que cal Palas
Armada te lanzache a Enrique Nòris
E fugíronche vinte mil ingreses!
0 genio teu alenta òs Herculiños
En vinte e tres no sitio dos franceses.

Achegados ja estes à muralla
Como un forno se encende a bateria
Arrojando torrentes de metralla
Que causan un-ha gran carniceria.
E obrigan ò inimigo a retirarse
Ós muiños de vento a prapetarse.
Os cañons de ambos lados feitos brasas
Non cesan de troar en muitos dias,
Estralando na Cruña po las casas
Vidreiras, e escachando as galerias.
Os ecos se rebaten às porfias
En Santa Cruz, San Pedro, e po Ia Torre,
No monte e po lo chano,
E escorrendo nas olas o estrondo
Da guerra cunde a sóa no Occeano.

A Cruña ía a ceder ja sendo inútil
A defensa alongar causando estragos;
Mais nota que o inimigo
Irado porque o fogo non afroxa,
Con ánimo infernal
Comenza a disparar con bala roxa,
E prende fogo à casa de Marsal.
Como rio que abócha na invernada
E a borbollons debòrca, e leva a heito
Canto topa dïante na aveirada,
Po Ias portas da Cruña opado o peito
Sáhe a gente furiosa, e se avalanza
Ó campo do inimigo bèn resolta
A morrer sin dar volta,
Ou tomar do feitío unha vinganza.

De noite o campamento sorprendido
Desprende un alarido
De espanto e de terrore de tal sorte
Cal si no campo entrara
C' a fouza degolando a negra morte.
Os sitiados por entre os sitiadores
De súpito correndo se esparraman,
E a coitelada, a tiro alí derraman
O sangre dos cruès encendeadores.
¡A loita foi terríbel às escuras
Matándose os franceses uns a outros
En tanta confusion que n' outro dia
Asombro Iles causou tal escarmento,
Mirando para tal carniceria,
Cravada a artilleria,
Quedar en cadro o sete regimento!
Ilustres Herculiños vòs trunfastes,
Anque logo dimpois capitulastes. (2)

Si os fillos teus os mesmos son agora,
E tès tan ricas frores na tua abada,
¿Porque te vejo así desmacelada
Galicia? ¿o folgo teu porque te acòra?
¿Te does de que muitos, ou Señora,
Se ven laceradismos na probeza
Sin poder disfrutar da tua riqueza,
E se larguen da terra para fóra?
¿Laméntaste de ver por eses mares
Os teus queridos fillos,
Que lexos se van pór dos patrios lares
Quizais a padecer en duros grillos?
¿Ti choras vendo a outros sin piedade
En cárceres morrendo
Caídos po la gran necesidade
Cal si crime fixeran muy horrendo?
¿Presomes de que chegue à eternidade
A ley do contrabando cubizoso,
E que libres jamais a ver se tornen
Os bèns que o Cèo danos bondadoso?
¿Con ollo lacrimoso
Recorres as Salinas da tua costa
Que deron a Salnés en outros dias
O nome, e abundancia às tuas rías?
¿Magóate esa venda carniceira


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(1) «Distinguidos sean los gallegos hasta el fin de los siglos»...etc. Wellington en la proclama al 4.º ejército en Lesaca á 4 de Setiembre de 1813.
(2) La mitad de los sitiadores perecieron durante el sitio.


[páx. 368]

Que nas quintas se fai de sustitutos
Peór que a fan de negros, ou de brutos,
Que se venden e mercan nun-ha feira?
¿Afrígete o oídio desastroso
Que tòlle fai set' anos os viñedos,
Sin perdon do tributo tan gravoso
Que fai chorar a fèras e penedos..?

Non dubídes, ou povo generoso,
Non dubídes que veñan os degredos
Que sirvan de remedio a tantos males
En esta edá presente,
E que os justos principios eternales
Te poñan bèn alegre e frorecente.
Non dubídes se atreva a nova gente,
Que a forza de saber e de potencia
Arremetèu a igrexas e conventos,
Con muito mais valor e mais alentos
A far tantas reformas de concencia.
Pubrican a evidencia
De faltas e de errores
As luces espargidas nesta edade,
E fai falla demostren a verdade
Contando c' a esperencia
Os que dela pretendan ser doutores.

Alenta pois, Galicia, que os albores
Se ven ja relucir de novos dias,
Que cantarán brillantes trovadores
C' a lira deleitosa de Macias:
Prepara o corozon às alegrías
Que esperimentarás en tal momento
Mirando o incremento
Que tomen o comerzo, industria e artes,
E a madre da abundancia e da fartura,
De ingratos esquecida, a agricultura,
Levando a via ferra a todas partes
Abondo de riqueza, e novas obras
Producto das virtudes e talento
No vèrse de Feixô e de Sarmento.

Un povo que è leal e virtudoso,
Humilde e obediente à autoridade,
Que òs Reis probado tèn fidelidade
E que mais que ningun è religioso,
Que no perigo acòrre valeroso
Á defensa da Patria e mais da Fè;
Merece que o Goberno que tal ve
Non se lle amostre nunca riguroso.

Alenta pois, Galicia,
Na fonte da verdade e da justicia,
A fror consoladora da esperanza
Non se mucha sinon en fraca mente.
O corazon magnánimo valente
Non se rende òs dolores de un-ha frida,
Recroba no infortunio nova vida,
E òs maores riveses ponlle frente
Serena imperturbábel e sofrida.
Alenta pois, Galicia,
Na fonte da verdade e da justicia.

O tempo que se vèn, ò que despide
Lle da a sua man e sóltaa decontado,
Reinando o nòvo fado
Sin contas dar a naide que non pide.
A roda da Fertuna corre e mide
Ó seu antoxo tod' os bèns e males,
Que esparge erguendo e derrumbando arreo
Sin dar delo sinales,
Que solo sabe Deus alá no Cèo.
Os ricos, potentados, e valentes
Os Reis e Emperadores,
Os povos que se gavan frorecentes
Nun ¡ay! mil sinsabores
Presinten, e laxados de dolores
Se ven decér de cumes eminentes.

¡De Troya os muros, pazos e habitantes
Barreunos po o chan horríbel fogo:
De volta os Gregos tolos de trunfantes
Do gozo repentino ven o afogo,
Cubríndose ¡ay! o triste Agamenon
C' os barcos seus de fúnebre crespon!
¡Valente foi o povo de Moisèn
E Babilonia o viu entre cadeas
Barado e morno, o seu perdido bèn
Chorar a fio vindo as vágoas cheas
Suspirar e gemer Jerusalem!
¡E o que de roubos fixo o Capitolio
Que o mundo todo sujetou tirano,
Rachado viu o seu inmundo solio,
E opar trunfante o humilde Vaticano!..

Mais em por eso aléntase a esperanza
No vai e vèn das cousas de este mundo
Que troca arreo os pesos da balanza,
E cando o baixo avanza,
Vèn o de arriba para o mais profundo.
De aquel Napoleon que sin segundo
Foi ínclito guerreiro,
Ninguen diria que o amarrára a sorte
Na fianza nobre en inimiga Corte
Que muy mezquiña o grande prisioneiro
Longe de Europa lle entregou à morte.
Nin quen pensára que Turin veria
Lle amañecer de fausto un novo sole
Que agiña o reparára
Das perdas que tivera alá en Novara
Derrubando tan sò a Sebastopole..?

Non te acòres ti pois, nobre Galicia,
Qu' inda rebuleu teus robustos membros:
Confia no direito e na justicia:
Desdobra o rico manto da tua gloria
Lucente nesa cònda de relembros
Que de ti garda a tradicion e a historia.
Quizais teus fillos inda che precuren
Un novo menumento,
E ardendo no amor patrio que eu che juro
Resóe traspasando o firmamento
O nome de Galicia santo e puro.

Qu' è dóce halar c' a sede da justicia,
É dóce halar da caridá c' a séde,
Fugir do encontro de dourada réde
Que mais encrobe as mallas da malicia,
Da pesoña e injusticia:
É dóce halar por quen como nos fala,
É dóce halar por quen nos faga o bén,
É dóce halar por quen como nòs hala
Sin desejar o mal para ninguen.
Repítoo outra vez, direino cèn,
Qu' è santo, è justo, è puro, è inocente
De còte halar, e halar de corazon
Por nosa patria, e mais da nosa gente
Por conservar e fama e religion.

———

ln hoc misterium fidei firmiter profitemur.

D' aqui non nos arrincan herejes nin gentios,
Nin tod' os protestantes con mouros e judios.

Xoan Manoel Pintos.
 

 

venres, 30 de outubro de 2020

O CAMIÑO A SEGUIR

 O CAMIÑO A SEGUIR

O grande problema histórico do nacionalismo galego foi e segue a ser unha ausencia de via. Unha via forte unida e xenuina que xunte nun proxecto o sentir da nosa xente.

A situación política actual mete nun dilema moral a moitos galegos ao non ter un referente político, e ter que elexir entre "defender" valores e o noso modo de vida escollendo forzas políticas de caracter estatal (PP VOX) ou a "defensa" da nosa cultura (BNG). Duas opcións nefastas prao futuro da nosa terra e do noso pobo.


Hai distintas formas de facer camiño, pero o importante é manter o rumo firme nos pilares que nos trouxeron ata aqui como pobo. Illarse dos elementos externos e facerse forte na tempestade que representa a sociedade actual, e levar consigo mesmo os tres pilares vaias a onde vaias.

Baseámonos ise sentir na defensa dos fundamentais:

Raza (o noso pobo)
Terra (territorio)
Tradición (cultura)

A istes pilares debémonos, e por eles hai que loitar. Raza: traendo novos galegos ao mundo. Terra: defendéndoa tanto territorialmente coma a sua riqueza natural e Tradicion: pasándolla as novas xeracions.

 Ricardo Loureiro Fontenla "Inchafoles"


Meme-Vídeo exemplo de "nacionalismo" bngeiro.

mércores, 28 de outubro de 2020

Sei de onde eu veño!

SEI DE ONDE EU VEÑO!

 
Sei de onde eu veño: dunha família de labregos humildes, dunha comarca esquecida dunha pátria maravillosa que leva moitos séculos humillada e devastada pola barbárie. Quen son ven de moito antes do meu nascimento, o meu xerme alóngase moito tempo atrás.

Sei onde estou: nun espazo e nun momento de grandes problemas, pero tamén estou con xentes dun material xenético de grandes potencialidades. Un salouco entre o onte e o mañá.
 
Sei a onde vou: rumo cara as chamadas utopias. O meu sentir acende os fachos e impulsa o meu corazón. Se todo vai na contra, iso non importa, hai que apreender a loitar. A vida non é unha doenza, é unha viaxe cheia de aventuras. Terras maravillosas esperan. Camaradas da tripulazón van e e veñen en cada viaxe. Os camiños están cheios de fochancas e perigos. Sempre haberá tropezos, pero hai que camiñar; a imobilidade, a pasividade e o parasitismo son letais, son o suicídio da nosa raza.
 
A depresión crónica é a consecuéncia irremediábel do aborrecimento e da resignazón na sociedade globalista e a guerra entre capitalistas e comunistas, que por meio da alienazón do rabaño transforma as persoas en tristes seres grises NPC.
 
Non suporto o pranto victimista nen o desleixo dos meus conxéneres. Estou cansa da xente que prefire a queixa ao esforzo e a carraxe. Son unha verdadeira mágoa esas persoas mortas en vida que constantemente lamentan, que non fan outra cousa que chorar e a suas bágoas non lle deixan ver as cousas maravillosas que teñen ao redor.
 
 Celtia Loimil das Fragas

Fascismo e Nacional-Socialismo a juizo de Risco

"Horrez gain, ni ez naiz faxista, nazional sozialista baizik" "Ademais, nom som fascista, som nacional-socialista" Jon M...